Foi o que você me perguntou ontem.
E eu realmente fiquei pensando sobre aquilo. Nos últimos três dias eu não dormi, porque eu não queria perder um minuto sequer do teu lado, do cheiro, queria gravar na minha memória, falha, todas as marcas do teu rosto, o toque suave da tua barba, a tua pele quente e a tua respiração que me embriaga. Queria poder dizer que perdi meu sono pra vigiar o teu. Pra te ver em paz.

Na verdade, contar pra alguém seria reduzir demais, rotular, porque na verdade, não importa quantas palavras eu tente alocar nesse texto para expressar o que é a nossa história. Ela toda é um código que apenas nos dois conhecemos. O nosso amor cresceu, mudou, e esta amadurecendo com calma.
Mas, se eu tentasse explicar para alguém eu contaria a seguinte história (eu literalmente deveria estar estudando ou trabalhando, mas hoje eu quero aproveitar o meu pensamento que só está em você, calma, não estou louca, estou apenas sentindo ainda, o teu cheiro no meu corpo, me deixa tornar isso vivo antes que vire apenas memória):
“Era uma vez, em uma manhã quente, uns garotos, uns violões e um baixo. Um garoto com um ar de arrogância misturada com uma simplicidade ímpar, um sorriso de canto de boca, cabelos ralos e longos, olhos que falavam e um All Star velho. Eu não sabia o que era aquilo, que eu tinha sentido quando o vi, talvez só o tivesse achado bonito, mas hoje eu sei que foi bem mais que isso. Eu não falei nada, absolutamente nada naquela manhã, ouvi as músicas desafinadas e os desejos de alguns meninos se propagando em caixas de som. Depois daquilo me dava taquicardia pensar naquele sorriso. Dava-me frio na barriga. Depois desse silêncio do primeiro encontro, eu não me lembro de exatamente como, mas o silêncio virou diálogo, diálogo, diálogo e, de fato, virou paixão, naquele momento apenas pra mim. Se tornou uma urgência resolver aquilo, em ter, em ter, e toda aquela pressa só me fez não ter. E na vida, encontramos outras pessoas, e mesmo assim estávamos lado a lado, crianças ainda, imaturas, apressadas, porém, acima de tudo, éramos amigos.
Todo esse amor que estava brotando foi canalizado em palavras, que me renderam alguns poemas publicados e uns dois prêmios em festivais de poesia do colégio. Naquela época amor pra mim era ter, e eu não o tinha. Em algum momento qualquer, no meio de uma noite de sábado, entre algumas garrafas e uma música fajuta, eu o tive como queria pela primeira vez. Mas mesmo assim, nossa vida seguiu seu rumo da mesma forma, o status quo mantido e o meu coração bagunçado. Eu não sei bem em que momento da nossa história ele começou a me amar, não sei mesmo, e acho que eu não vou perguntar.
Continuando, algum tempo depois, a notícia que mais me doeu, eu lembro exatamente o som amargo que aquelas palavras provocaram “estou indo embora”. Doeu e ainda dói essa partida. Naquele tempo eu achava que todas as possibilidades de existir um “a gente” estavam morrendo. Eu estava enganada. Depois disso, o nosso amor cresceu, porque quando eu falo de amor, não é de amor casal 20, é o amor de ser parceiro, é estar de mãos dadas longe dos holofotes, mesmo a distância, é amor que é porto para atracar qualquer dor ou qualquer alegria.
Ao longo dos anos ele voltou e partiu, e a dor da partida sempre doía exatamente do mesmo jeito. E quando ele vinha permitíamos ao amor no espaço de tempo que era possível, que fossem uma semana, dois dias, duas horas, alguns segundos antes de um voo. Não importava. Essas migalhas temporais eram o meu tudo. Quando a gente se olhava, pra mim, era como se ele nunca tivesse partido. De fato, nosso amor nunca foi tocado pelas angústias do dia-a-dia e de toalhas molhadas na cama, ou da pasta aberta na pia. Não. O nosso amor cresceu longe dessas coisas pequenas.
Há alguns dias, as coisas aconteceram numa ordem contrária, eu fui e parti. Bati na porta, como quem não quer nada, como quem só queria ver de longe, só queria saber se você estava bem. E no calor do momento o nosso amor apareceu como nunca, foi real como nunca, tão real quanto marcas de mãos fortes na minha pele pálida. Como os fios de cabelo que eu deixei na sua cama. Como a pele que está nas minhas unhas. E como o nosso cheiro que não some do meu olfato. Eu te amo, você me ama, e a gente vai se amando desse jeito estranho, nesse ritmo incerto e desprevenido. Devagar, com pressa, devagar, com pausa e como tempestade. Não importa nem como, nem onde, nem por quanto tempo. Cada segundo com você é o infinito. Mesmo longe, estamos pertos, bem perto. E eu tenho a verdadeira certeza que eu vou te amar sempre, porque me basta apenas te olhar pela fechadura da porta. E nas nossas ausências sempre estamos presentes. Essa é a minha versão da nossa história que vêm se desenrolado há uns 2920 dias, ou quase isso, nem importa na verdade, pra quê contar, se eu sei que isso só vai ter fim… Nunca!
Obrigada por existir e me possibilitar saber o que de verdade é amar. Essa história eu estou contando para você, pra ter registro, quando a sua memória não for à mesma, ou quando o seu coração tiver dúvidas. É tradição né? “Registrar com calma as coisas que eu simplesmente não consigo falar com os seus olhos grandes conversam comigo”.
Leticia do céu, mulherrrrrr desculpa o atraso! Ta recuperada? Obrigada pelo carinho linda, tudo que é de verdade é forte né? COPIAAA, e me manda a foto da tua caligrafia depois <3. Pode esperar, é por leitores atenciosos como você que a gente trabalha! Abraços e beijos de luz <3
Paloma, pelamor, não me destrói desse jeito!!! Com certeza vou levar um tempo pra me recuperar do choque que foi ler esse texto.
Parabéns por esse texto lindo, tão delicado e tão forte. Fiquei com muita vontade de copiar tudo na minha agendinha de coisas pra reler sempre (sou dessas que gosta da coisa física mesmo, letrinha cursiva no papel). Agracie-nos mais vezes com o prazer de ler seus textos. Abraços!
Linda, obrigada!! Mulher, tudo que é vivido de verdade é assim..forte né? rs. Copiaaaaaaaaaaaaa, depois me manda foto pra eu ver tua caligrafia ilustrando uma história minha. Por leitores como você pode ter certeza que novos textos virão querida! Obrigada pelo carinho
Leticia do céu, mulherrrrrr desculpa o atraso! Ta recuperada? Obrigada pelo carinho linda, tudo que é de verdade é forte né? COPIAAA, e me manda a foto da tua caligrafia depois <3. Pode esperar, é por leitores atenciosos como você que a gente trabalha! Abraços e beijos de luz <3